Empreendedor Paralelo

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Há pouco aconteceu uma excelente discussão no blog ReadWriteWeb Brasil sobre a aquisição do website americano Mint.

O post é excelente, mas o destaque vai para os comentários. Eu decidi dar a minha contribuição e, entre minhas observações, escrevi sobre empreendedores paralelos.

Eu já estava pensando a respeito do tema fazia algum tempo, mas ainda não havia pesquisado nada a respeito. Como frequentemente acontece com idéias de novos negócios, o conceito não é tão novo assim! Decidi explorar um pouco esta idéia. Confesso que não pude pensar muito sobre os conceitos… aposto que a minha “teoria” está cheia de furos e eu adoraria discutí-los.

Paralelos e Seriais

Frequentemente se fala se empreendedores seriais, aqueles que montam mais de um negócio em série, fechando ou não o ciclo de investimento (investimento inicial, estruturação do negócio, expansão, venda). Esses empreendedores escolhem um problema e focam exclusivamente nele, por anos, até atingir algum resultado (de preferência alguns milhões de dólares na conta).

Também é bem conhecida a utilização de teorias de portfólio por fundos de Venture Capital, onde eles buscam investir em um grande número de startups (paralelamente) na tentativa de mitigar o risco intrínseco de cada uma delas.

Enxergam o contraste? Investidores diversificam. Empreendedores focam. Investidores são paralelos. Empreendedores são seriais.

Por que ter foco/ser serial?

Um dos requisitos mais citados nas listas do tipo “O que um empreendedor precisa ter” é o foco.

Foco é algo desejado por investidores por alguns motivos:

  1. Eles esperam resultados rápidos e teoricamente quanto mais horas/homem estiverem sendo dedicadas ao projeto, mais resultado ele trará.
  2. O foco também é um sinal de comprometimento do empreendedor com o seu negócio. Estar envolvido em outros projetos pode, naturalmente, gerar questionamentos.

O empreendedor também conquista muitas coisas tendo foco:

  1. Compreensão mais aprofundada do mercado onde a startup está atuando.
  2. Redução do multitasking.
  3. Mais facilidade para organizar metas.

Alguns tipos de empreendedores

Empreendedores vêm de todas as formas, cores, históricos e personalidades.

Existem empreendedores extremamente capazes para executar idéias (empreendedor centroavante), outros exepcionais para crescer empresas rapidamente (empreendedor catalisador), muitos são eficientes para empreender internamente dentro de grandes empresas (intra-empreendedor) e alguns exepcionais na criação de empreendimentos sociais (empreendedor social).

Mas existe um tipo de empreendedor que recentemente tem sido marginalizado, aquele cujo grande interesse e habilidade está na identificação e/ou criação de novas idéias (estratégias, modelos de negócio, etc.). Este é o empreendedor visionário. Digo marginalizado pois é bem difundida a visão de que “idéias não valem nada, o que vale é a execução”.

Sem dúvida nenhuma execução é crucial pois sem ela nenhuma idéia sairia do papel. Mas o que é o empreendedorismo de alto impacto se não a execução de idéias inovadoras. Se tivéssemos apenas empreendedores capazes de executar, teríamos a tão desejada inovação? O empreendedor visionário não tem seu espaço?

Naturalmente o “empreendedor ideal” seria o renascentista. Aquele que consegue unir inovação, execução e capacidade de levar uma startup até a fase final do ciclo de investimento. No entanto não vivemos em um mundo perfeito e estes empreendedores renascentistas são raros. A maioria possui uma ou mais das características mas raramente todas.

Empreendedor paralelo?

Temos então alguns tipos de empreendedores (ou melhor, algumas características de empreendedores) e uma “expectativa” por parte de investidores (que o empreendedor tenha foco).

A minha provocação é que existe sim lugar para o empreendedor visionário. Este empreendedor apoia-se no seu interesse por tecnologia, inovação e novos modelos de negócios. É o tipo de empreendedor que a todo momento está ligado em oportunidades de negócios. Ele está sempre se questionando: “será que dá para ganhar dinheiro com isso?”… “E se eu fizesse aquilo de maneira diferente?”.

Mas talvez este empreendedor não possua as demais características desejáveis. Ele deve desistir de empreender? Eu acho que não.

Acredito que este empreendedor deve buscar pessoas que complementem as suas habilidades. Este empreendedor pode contribuir em uma ou mais startups com a sua visão de negócios. Por sinal, a contribuição em mais de uma startup pode ser algo desejável, uma vez que o contato com diferentes problemas e cenários tende a gerar ainda mais inovação.

O foco, no fundo, pode ser inimigo da inovação.

Na prática, como ser um empreendedor paralelo?

O que vale mais a pena? Trabalhar para corrigir características que são consideradas defeitos ou trabalhar para refinar e evoluir características que são diferenciais importantes? Se Steve Jobs tivesse trabalhado mais nos seus people skills ao invés de explorar as suas “excentricidades”, ele seria o mesmo Steve Jobs bem sucedido de hoje?

Seguir o primeiro caminho pode levar uma pessoa ao médio-padrão, enquanto o segundo pode levá-la a um patamar muito mais elevado e único.

Portanto, um empreendedor paralelo, ao invés de lutar para ser um excelente empreendedor que executa idéias, pode esforçar-se para explorar e refinar a sua capacidade de inovar. A capacidade de execução pode vir por meio de um sócio que atingiu um patamar nesta habilidade que ele jamais atingiria, por mais que buscasse evoluir seus pontos fracos. Curiosamente, dar atenção aos pontos fortes e não aos fracos é: F-O-C-O.

Um empreendedor paralelo pode contribuir com diferentes projetos, concomitantemente, explorando sinergias entre eles, explorando o desafio intelectual de criar para gerar inovações para todos os negócios nos quais ele está envolvido. Ele não precisa (e acredito que não deva) ser o “cabeça” dos projetos. Deixe a execução para quem a faz excepcionalmente bem. Ele pode ter uma participação em diferentes start-ups, contruindo o seu próprio portfólio de start-ups (mitigando, com razão, o risco das start-ups que não estão sob seu controle direto). No desenvolvimento de aplicativos para a web então, isso fica ainda mais fácil.

Acredito que a união de um empreendedor paralelo/visionário com um empreendedor centroavante é uma mistura que pode render grandes sucessos.

O que outras pessoas disseram sobre o assunto:

Após o meu comentário no ReadWriteWeb Brasil eu busquei saber se alguém mais falava sobre o empreendedor paralelo. Encontrei alguma coisa, com pontos positivos e negativos. Seguem alguns trechos:

The key to the parallel entrepreneur model working is getting the management part right. Each project, once it gets launched, needs focus and attention. Someone has to be minding the store. If parallel entrepreneurs can figure out how to make that part work, they might be able to operate in parallel forever

Fred Wilson

The process takes a complicated waltz, filling their dance cards with eligible CEOs for hire and knowing which of their many partners needs attention. It’s the best use of minds more suited to innovating than running a company, say some entrepreneurs.

MassHighTech

With rare exception, it’s important not to try and have two (or more) initiatives going on that compete for your passion and energy. Being a parallel entrepreneur with more than one equally exciting idea is a recipe for failure. Pick one that you’re the most excited about and run with it. If you do have multiple things going, make sure you’re honest with yourself and those around you as to what each opportunity represents and why they won’t conflict.

OnStartups

Execution is Tactics. Vision told us which hill to take, now we have to get on with the job of fighting the battle. Give a good Executor a Vision from somewhere, even borrowed, and they will get it done. But once they’ve taken the hill, they will have no idea what hill to take next. Situate their hill in the middle of a whole mountain range of opportunity, and it’s the worst thing they can encounter. They run from hill to hill with no clear plan. Often they take the hill, but there is always another one. That sounds like Microsoft or Yahoo to me. Microsoft actually had some Vision once upon a time, but it seems long gone as they keep trying to steal other company’s hills.

Bob Warfield

Algumas dicas para quem vai se apresentar a investidores

No dia 5 de setembro eu fiz um pequeno Workshop para os empreendedores do Desafio Brasil 2009. Uma série de dicas para quem vai se apresentar para investidores.
Muitas delas servem para qualquer apresentação.

Liberdade de expressão FAIL. “Boteco São Bento: o pior bar do sistema solar.”

Parece que os “administradores” do São Bento não entenderam bem como funciona a Internet… se tivessem deixado o assunto quieto, meia dúzia de leitores teria lido e discutido o post ao invés do estardalhaço causado pela notificação extrajudicial.

O que foi escrito no blog, por si só, não justifica a notificação. Tendo isto em mente, vou republicar o post do http://resenhaem6.blogspot.com/ em nome da liberdade de expressão.

Aguardo a notificação extrajudicial para retirar o mesmo do ar.

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.

* Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
* Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui
* Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.

Novo blog – Copirraite

Estou escrevendo um novo blog chamado Copirraite. O foco dele é DIY, open hardware e hacks em geral. Tentarei juntar um pouco de negócios no meio de tudo, avaliando principalmente como o movimento de open hardware pode mudar o mercado da forma como conhecemos hoje.

O “Plano A” continua existindo, claro… :)

Currículo, WordPress by Email e Arduino

Arduino
Faz tempo que não coloco um post por aqui… O que me estimulou a escrever agora foram três coisas:

  1. Post no blog do Miguel Cavalcanti sobre o “fim dos currículos”
  2. Nova funcionalidade do WordPress que permite posts por e-mail
  3. Minha mais recente aquisição: Arduino

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Bom, já começo recomendando o blog do Miguel. Não conheço o cara pessoalmente mas gosto muito do que ele escreve. Vale a pena conferir. No seu último blog post ele dá a sua opinião: recém-formados deveriam esquecer os currículos e passar a escrever seus blogs. Eu concordo totalmente… obviamente um blog é capaz de mostrar muito melhor qual o perfil e interesses da pessoa, mas além disso ele é um “currículo ambulante”, podendo atingir pessoas que um dia podem lhe abrir diversas portas. Acho que tem empresas atentas a isso… um dos processos seletivos mais interessantes que fiz durante a faculdade envolvia produção de um blog coletivo. Foi uma experiência e tanto.

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Queria testar a nova funcionalidade do WordPress para blogar via e-mail. Portante… Testando, 1, 2, 3.

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0Contar sobre o meu novo hobby geek: hardware. Depois de passar algumas semanas aprendendo a programar (em Python/Django, para usar no trabalho mas também por interesse próprio) eu decidi explorar os leds, placas e microcomponentes.
Comprei um Arduino. Em termos completamente leigos (até porque não não expert para dar uma explicação mais técnica) trata-se de uma placa programável baseada em software e hardware open-source. Isso significa que qualquer pessoa pode pegar os planos originais e reproduzí-los, alterá-los, etc… sem pagar nada. Eu comprei a placa pronta, mas se quisesse poderia montar uma em casa simplesmente comprando a matéria prima (transistores, placas, chips, etc.).
Meu objetivo é o de aprender um pouco sobre o funcionamento dos hardwares e retomar um hobby de criança: desmontar e remontar tudo da maneira mais bizarra possível.
Para quem quer aprender mais sobre hacks e eletrônica também recomendo os sites Make e Instructables.

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Eu ouvi falar do Arduino pela primeira vez em 2008, quando fiz preparei uma apresentação (em nome da Batuq) sobre conceitos de “open” (Open Software, Open Innovation, etc.). Segue abaixo:

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Eu comprei o Arduino e outros componentes na loja SparkFun.com.
Sei que tem eletrônicos na Santa Efigênia, mas a preguiça é grande demais… e odeio ruas cheias (25 de março já me traumatizou uma vez…)… por isso estou afim de montar uma loja estilo SparkFun no Brasil (algum sócio por aí?). Será que tem mercado? Eu acho que sim… acho que a moda DIY vai pegar no Brasil.

Keep it simple, stupid! – A fadiga do excesso

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Acredito que a falta de foco é um dos pecados capitais que pode ser cometido por uma start-up. É tentadora a possibilidade de se criar um canivete suíço, ainda mais para empresas de tecnologia onde o custo de se implementar uma nova funcionalidade é relativamente baixo.

A sigla K-I-S-S (Keep It Simple, Stupid) resume a opinião. Empresas como a 37signals conquistaram milhares de seguidores (e clientes) oferecendo produtos que solucionam um só problema, e nada mais. Seu livro, Getting Real, é uma referência para a nova geração de empreendedores-digitais.

Para aqueles que leram o livro eu gostaria de recomendar o excelente artigo “Feature Fatique: when product cabapilities become too much of a good thing“. Para os que ainda não leram o livro, leiam. Ele é valido mesmo para empreendedores que não estejam focados em web.

Posteriormente escreverei mais um post discutindo a fundo alguns dos pontos levantados. Já adianto, no entanto, alguns pontos com os quais não concordei e que gostaria de discutir:

  • A premissa de que adicionar funções à um produto (em especial àqueles baseados em tecnologia da informação) é de custo nulo (página 439) tende a ser falsa para empresas nascentes, que tem um custo de desenvolvimento alto quando leva-se em consideração o custo de capital investido. Desta forma, o foco em poucas funcionalidades é ainda mais importante para start-ups.
  • Acredito que a análise não levou em consideração o poder do feedback (edit: leiam “The Age of Viral Feedback“), especialmente em uma sociedade em que os consumidores estão cada vez mais municiados de ferramentas que permitem que conheçam a usabilidade de um produto antes mesmo de comprá-lo (fórums, websites, etc.). Hoje um consumidor, que sempre deu grande valor às sugestões de seus pares, tem uma enorme quantidade de pessoas para “consultar”. A pesquisa trata de produtos fictícios; acredito que uma pesquisa baseada em produtos reais, numa condição normal de consumo (onde haveria o desejo do consumidor por uma pesquisa prévia antes da aquisição), mostraria resultados diferentes, dando ênfase à usabilidade mesmo antes de se comprar o produto.
  • A pesquisa não leva em consideração a capacidade de uma empresa de investir na usabilidade como um diferencial competitivo, sem que isso exija a diminuição no número de funcionalidades (exemplo perfeito: Apple).

Diga-me o que você acha!

Post originalmente publicado por Gian Carlo Martinelli no blog Plano A.


I believe that lack of focus is one of the biggest sins a start-up can commit. The possibility of creating a swiss army knife, with dozens of features, is tempting, specially for information based companies where the cost of creating a new feature is relatively low.

The acronym K-I-S-S (Keep It Simple, Stupid!) reflects that opinion. Companies such as 37signals have mustered legions of fans – and consumers – by offering products that scratch a specific itch, and nothing more. Their book, Getting Real, is a reference for the new generation of web-developers.

For those of you who have read the book, I recommend the excellent article “Feature Fatique: when product cabapilities become too much of a good thing“. For those of you who haven’t, read it. It is valid even for entrepreneurs who aren’t focused on web applications.

Later, I will write a new post commenting on some of the major findings of the article. Even so, I would like to discuss some points with which I disagree:

  • The premise that adding a new feature to a product (especially those based on information technology) costs nothing is not entirely true in the case of start-ups, that have high development cost when taking into consideration their cost of capital and burn-rate apprehension. For these companies the focus on usability is even more important
  • I believe the study didn’t take into consideration the power of feedback (edit: read “The Age of Viral Feedback“), specially in a society where consumers are ever so powered by tools that allow them to know the usability of a product before buying it (via forums, websites, etc.). Today a consumer, who has always given great weight to the opinion of it’s pairs, has a huge quantity of people to engage and query. The research considered fictitious products; I believe that a research based on real products, with normal consumption scenarios (where a consumer could research before the acquisition of a product), would show different results, giving even more enphasis to usability before buying a product.
  • The research doesn’t take into consideration the talent of a business to invest in usability as a competitive advantage, without sacrificing the number of features of it’s products (perfect example: Apple).

Let me know what you think!

Post originally published by Gian Carlo Martinelli on the blog Plano A.